A expressão “limpeza étnica” traz à memória alguns dos momentos mais sombrios da história da humanidade, durante os quais povos inteiros foram perseguidos, deslocados e chacinados, em nome de ideais utópicos baseados em um desorientado conceito de pureza

Ter, 17 de Junho de 2014 20:10 Acessos: 1431
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MULHER E TROPA

 

INDIGENISMO E POLÍTICA INDIGENISTA 

Política indigenista e limpeza étnica

A expressão “limpeza étnica” traz à memória alguns dos momentos mais sombrios da história da humanidade, durante os quais povos inteiros foram perseguidos, deslocados e chacinados, em nome de ideais utópicos baseados em um desorientado conceito de pureza racial.

FRANCO DA ROCHA NEWS, 17 DE JUNHO DE 2014 - 18H41

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INDIGENISMO E POLÍTICA INDIGENISTA 

Política indigenista e limpeza étnica

A expressão “limpeza étnica” traz à memória alguns dos momentos mais sombrios da história da humanidade, durante os quais povos inteiros foram perseguidos, deslocados e chacinados, em nome de ideais utópicos baseados em um desorientado conceito de pureza racial. Apesar de desacreditado pela ciência, o conceito ainda é utilizado e manipulado por ideólogos e lideranças oportunistas, em favor das insidiosas agendas políticas de certos grupos de interesses, como é o caso do aparato indigenista internacional, cuja atuação no Brasil se aproxima de um paroxismo, com consequências potencialmente catastróficas para o País.

 

Por aqui, a ideia sempre acompanhou de perto as descrições sobre o processo de formação da nacionalidade brasileira, principalmente, pelos estudiosos de orientação marxista, que, quase invariavelmente, ressaltam o extermínio e o massacre das populações indígenas pelos colonizadores europeus – hoje utilizados para justificar os inúmeros excessos da esdrúxula política do governo federal para os povos indígenas, adotada no processo constitucional de 1987-1988. Por outro lado, escassa atenção é dada à grande miscigenação ocorrida entre europeus, indígenas e africanos, que resultou em um dos povos de maior diversidade genética do mundo, com pelo menos um terço da população registrando uma ancestralidade indígena.

 

Ironicamente, o mesmo conceito usado pelos indigenistas para justificar a sua política de segregação desses povos e a sua utópica preservação em um estado “natural”, com o mínimo de contatos com o restante da sociedade nacional, pode ser invocado para qualificar as flagrantes injustiças que têm sido cometidas contra os assim chamados não índios obrigados a se retirar de áreas demarcadas para compor as terras indígenas. Injustiças que começam pela própria denominação do processo – “desintrusão” -, como se pessoas que, em muitos casos, detinham e detêm títulos legais de suas terras datados de décadas, fossem todas invasoras mal intencionadas de áreas tradicionalmente habitadas por indígenas. Ao contrário, em numerosos casos, os invasores são os indígenas, com frequência, manipulados pela militância indigenista encastelada na Fundação Nacional do Índio (Funai) e em ONGs como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Instituto Socioambiental (ISA) e outras.

 

Como demonstram com farta documentação os jornalistas Lorenzo Carrasco e Silvia Palacios, no livro Quem manipula os povos indígenas contra o desenvolvimento do Brasil: um olhar nos porões do Conselho Mundial de Igrejas (Capax Dei, 2013), por detrás dessa estratégia está o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), organização criada pelo Establishment oligárquico anglo-americano, logo após a II Guerra Mundial, para instrumentalizar uma série de ações intervencionistas em vários países, explorando causas de grande apelo popular.

 

Ao implementar o que chamam “retomada” das terras pelos indígenas, os indigenistas se mostram imbuídos de um furor demarcatório monopolizado pela Funai, baseado em critérios mais ideológicos do que técnicos (como “visões” motivadas por alucinógenos, como ocorreu em Cacique Doble, no Rio Grande do Sul), que tem ignorado totalmente os direitos mais elementares dos proprietários registrados das terras abarcadas pelas demarcações. Com desagradável frequência, como ocorreu na Gleba Suiá Missu, em Mato Grosso, os desalojados são pequenos e médios proprietários, a maioria dos quais com poucas condições de transferir as suas atividades produtivas para outras áreas, principalmente, porque as autoridades federais não têm demonstrado qualquer preocupação séria com este aspecto do problema, ao contrário do que acontece com as “desintrusões”, para as quais têm mobilizado autênticas forças-tarefa policiais e militares.

 

O caso de Suiá Missu é emblemático. Em dezembro de 2012, a área, dividida entre os municípios de Alto Boa Vista e São Félix do Araguaia, foi alvo de uma violenta desocupação das mais de 5 mil pessoas nela residentes, para a formação da Terra Indígena Marãiwatsédé, com 165 mil hectares, entregue a 900 índios xavantes. Um ano depois, a situação dos desalojados é trágica. Sem ter para onde ir, eles se espalharam pelos quatro municípios da região e vivem em condições precárias, acossados pelo alcoolismo, consumo de drogas e depressão. Mulheres foram obrigadas a recorrer à prostituição para sobreviver e já foram registradas várias mortes causadas por infartos e suicídios.

 

“Destruíram as casas e propriedades da área, mas nenhum índio está vivendo lá. Pessoas estão morrendo e assim vai continuar. Até agora já registramos 25 mortes. Embora as poucas promessas de ajuda continuem na intenção, as pessoas que tiveram suas vidas arrancadas vivem em situação de desespero”, desabafa o presidente da Associação dos Produtores Rurais da Área Suiá-Missú (Aprossum), Sebastião Prado.

 

O caso de Nailza Bispo é típico. Ela herdou do pai uma propriedade de 240 hectares, onde criava gado e, hoje, vive de favor na casa de parentes em Alto Boa Vista. “É difícil traduzir nossa situação em palavras. Vivemos uma verdadeira guerra. Ver tudo o que construímos destruído, estar vivendo de favor, passando fome, enquanto até pouco tempo atrás produzíamos o nosso alimento, é muito triste. Olho para meus filhos e temo pelo futuro deles. Mas não vou perder a minha fé e esperança”, lamenta (RDNews, 10/12/2013).

 

Em agosto, uma audiência pública convocada pelo deputado federal Valtenir Pereira (PROS-MT), na Câmara dos Deputados, discutiu a ultrajante situação dos antigos proprietários expulsos da área. Um resumo do encontro, divulgado pela Câmara, escancara o descaso do governo federal com o problema:

 

Os representantes do governo argumentaram que não poderiam fazer mais do que a lei os permite e relataram as providência tomadas, no âmbito de sua competência, em relação aos desalojados da gleba Suiá Missú, como distribuição de filtros e cestas básicas (Secretaria de Direitos Humanos), inclusão em projetos de assentamentos (Incra/Ministério do Desenvolvimento Agrário) e cadastramento no Bolsa Família (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome). Já os prefeitos José Antonio de Almeida [São Félix do Araguaia], Emival Gomes de Freitas [Porto Alegre do Norte] e Leuzipe Domingues Gonçalves [Alto Boa Vista] enfatizaram as dificuldades dos municípios para atender dignamente os desalojados, bem como o impacto financeiro negativo causado à região pela desintrusão dos agricultores da gleba Suiá Missú, ação que consideraram truculenta e precipitada, já que a decisão judicial favorável à demarcação da gleba como reserva indígena dos Xavantes tem caráter apenas liminar (Câmara dos Deputados, 21/08/2013).

 

Por ironia, após a entrega da área aos xavantes, entre junho e agosto de 2013, os indígenas promoveram os maiores incêndios já registrados na região, que atingiram 20% da área da reserva. Além recorrerem habitualmente à prática, para facilitar a caça, os indígenas pretendiam também limpar os campos plantados com o capim Brachiaria, que servia como alimento para o gado criado pelos antigos proprietários (Questão Indígena, s/d). Para ocultar a sua responsabilidade, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) atribuiu os incêndios à “ação criminosa de vândalos”, enquanto caciques xavantes responsabilizavam os antigos ocupantes da área (Agência Brasil, 21/08/2013).

 

Neste início de 2014, a tragédia de Suiá Missu ameaça repetir-se no Maranhão, onde a Justiça Federal já determinou a “desintrusão” de uma grande área do município de São João do Caru, no noroeste do estado, para a sua integração à Terra Indígena Awá-Guajá, de 116 mil hectares. A medida, para a qual já se encontra no local uma força-tarefa integrada pela Força Nacional de Segurança, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Exército, Ibama e Funai, deverá atingir cerca de 1.220 famílias, que terão 40 dias para deixar as suas terras, após serem notificados.

 

Assim como em Mato Grosso, a grande maioria dos residentes tem propriedades pequenas, entre 10 e 60 hectares, como confirma Arnaldo Lacerda, um dos raros donos de grandes propriedades na região. Segundo ele, que tem cinco fazendas com cerca de 3 mil hectares cada uma, existem também de dez a 20 propriedades médias, cada uma com cerca de 600 hectares. “Quem trabalha são os próprios donos, não temos máquinas, é trabalho manual”, enfatizou.

 

Lacerda lamenta que a desocupação da área tenha sido tomada sem consideração com o reassentamento das famílias que serão expulsas: “Devia ter sido levado em consideração que não tinha um plano pronto para retirar esse povo. Estamos aguardando a expulsão para ser jogados no meio da rua.”

 

Ele ressalta que, como o processo de litígio da terra remonta a 1992, as soluções para a relocação já deveriam estar sendo apresentadas (Agência Brasil, 10/01/2014).

 

Apenas na semana passada, o Diário Oficial da União publicou um edital para a convocação das famílias interessadas em participar do processo de seleção para o reassentamento, enquanto o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) também abriu um edital para a compra de terras destinadas à finalidade. Por sua vez , a Funai informou que um convênio com as prefeituras dos municípios que receberão as famílias expulsas irá garantir a infraestrutura e a distribuição de moradias pelo Programa Minha Casa, Minha Vida (Agência Brasil, 10/01/2014).

 

Se a política indigenista nacional tivesse um mínimo de compromisso com o Bem Comum da totalidade da nação brasileira, em vez de restringir-se a uma corrosiva agenda ideológica e antinacional, providências efetivas para minimizar as mazelas das famílias expulsas já deveriam ter sido tomadas há tempos.

 

Até quando a sociedade brasileira, em geral, tolerará semelhantes agressões ao bom senso e aos sentidos de decência e justiça, que deveriam nortear a formulação de todas as políticas públicas? Até quando teremos que presenciar outras manifestações dessa criminosa segregação étnica que uma caterva de desorientados ideológicos e oportunistas políticos tem imposto ao País?

COM CONTEUDO ALERTA INFORMATIVO

http://www.alerta.inf.br/politica-indigenista-e-limpeza-etnica/

DA REDAÇÃO DO FRANCO DA ROCHA NEWS

Última atualização em Qui, 26 de Junho de 2014 00:32