Estado Islâmico do Iraque e do Levante

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Estado Islâmico do Iraque e do Levante

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

الدولة الإسلامية

Estado Islâmico1 2

Flag of the Islamic State of Iraq and the Levant2.svg     

Seal of the Islamic State of Iraq and the Levant.svg

Bandeira             Brasão de armas

Lema: باقية وتتمدد (Árabe)

"Bāqiyah wa-Tatamaddad" (transliteração)

"Remanescendo e Expandindo"3 4

Hino nacional: أمتي قد لاح فجر (Árabe)

"Ummatī, qad lāha fajrun" (transliteração)

"Minha Nação, ao Amanhecer Apareceu"5 6

 

Localização  Estado Islâmico do Iraque e do Levante

 

Mapa da Síria e do Iraque no contexto da Guerra Civil Síria e da insurgência iraquiana (2014):

     Controlado pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS)

     Controlado por outros rebeldes sírios

     Controlado pelo governo da Síria

     Controlado pelo governo do Iraque

     Controlado pelos curdos sírios

     Controlado pelos curdos iraquianos

     Controlado pela Frente al-Nusra

 

Capital  Mosul7

Língua oficial      Árabe

Governo             Califado Islâmico1

 - Califa1              Ibrahim8

Separação          da Síria e do Iraque

 - Proclamação da independência            3 de janeiro de 20149 

 - Califado declarado      29 de junho de 20141 

Fuso horário      UTC +3

Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS) é uma organização jihadista no Oriente Médio. O grupo é conhecido em árabe como ad-Dawlat al-Islāmiyah fī al-ʿIrāq wa sh-Shām, levando ao acrônimo árabe Da'ish ou Daesh. Um califado foi proclamado em 29 de junho de 2014, Abu Bakr al-Baghdadi foi nomeado como seu califa e o grupo passou a se chamar Estado Islâmico (em árabe: الدولة الإسلامية, ad-Dawlat al-Islāmiyah), mas não foi reconhecido pela comunidade internacional.1 8 O EIIL afirma autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos do mundo10 e aspira tomar o controle de muitas outras regiões de maioria islâmica,2 a começar pelo território da região do Levante, que inclui Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e Hatay, uma área no sul da Turquia.11 12

 

O grupo, em seu formato original, era composto e apoiado por vários grupos terroristas sunitas insurgentes, incluindo suas organizações antecessoras, como a Al-Qaeda no Iraque (AQI) (2003-2006), o Conselho Shura Mujahideen (2006-2006) e o Estado Islâmico do Iraque (ISI) (2006-2013), além de outros grupos insurgentes, como Jeish al-Taiifa al-Mansoura, Jaysh al-Fatiheen, Jund al-Sahaba, Katbiyan Ansar al-Tawhid wal Sunnah e vários grupos tribais iraquianos que professam o islamismo sunita. O objetivo original do ISIS era estabelecer um califado nas regiões de maioria sunita do Iraque. Após o seu envolvimento na guerra civil síria, este objetivo se expandiu para incluir o controle de áreas de maioria sunita da Síria.13 O grupo islâmico foi designado como uma organização terrorista estrangeira por países como Estados Unidos,14 Reino Unido,15 Austrália,16 Canadá,17 Indonésia18 e Arábia Saudita,19 além de também ter sido classificado pela Organização das Nações Unidas (ONU),20 pela União Europeia e pelas mídias do Ocidente e do Oriente Médio como grupo terrorista.21 22 23 24

 

O Estado Islâmico cresceu significativamente devido à sua participação na Guerra Civil Síria e ao seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi. Denúncias de discriminação econômica e política contra árabes sunitas iraquianos desde a queda do regime secular de Saddam Hussein também ajudaram a dar impulso ao grupo. No auge da Guerra do Iraque, seus antecessores tinham uma presença significativa nas províncias iraquianas de Al Anbar, Nínive, Kirkuk, maior parte de Salah-ad-Din e regiões de Babil, Diyala e Bagdá, além de terem declarado Baquba como sua capital.25 26 27 28 No decorrer da guerra civil síria, o ISIS teve uma grande presença nas províncias de Ar-Raqqah, Idlib e Aleppo.29 30

 

O Estado Islâmico obriga as pessoas que vivem nas áreas que controla a se converterem ao islamismo, além de viverem de acordo com a interpretação sunita da religião e sob a lei charia (o código de leis islâmico). Aqueles que se recusam podem sofrer torturas e mutilações, ou serem condenados a pena de morte.31 22 O grupo é particularmente violento contra muçulmanos xiitas, assírios, cristãos armênios, yazidis, drusos, shabaks e mandeanos.32 O ISIS tem pelo menos quatro mil combatentes no Iraque33 que, além de ataques a alvos militares e do governo, já assumiram a responsabilidade por ataques que mataram milhares de civis.34 O Estado Islâmico tinha ligações estreitas com a Al-Qaeda até 2014, mas em fevereiro daquele ano, depois de uma luta de poder de oito meses, a Al-Qaeda cortou todos os laços com o grupo, supostamente por sua brutalidade e "notória intratabilidade".35 36 37

 

Índice 

1 História

1.1 Formação do grupo (1999–2006)

1.2 Estado Islâmico do Iraque (2006-2013)

1.2.1 Guerra Civil Síria (2011-presente)

1.3 Estado Islâmico do Iraque e do Levante (2013–2014)

1.4 Auto-proclamado "Estado Islâmico" (junho de 2014–presente)

2 Estrutura

2.1 Objetivos

2.2 Governo e liderança

2.3 Características

2.4 Ideologia e crenças

2.5 Propaganda

2.6 Recursos financeiros

3 Crimes de guerra

3.1 Perseguição religiosa

3.2 Tratamento dado aos civis

3.3 Denúncias de violência sexual

3.4 Regimento imposto aos civis conquistados

3.5 Destruição de Patrimônio da Humanidade

4 Designação como organização terrorista

5 Ver também

6 Referências

7 Ligações externas

História[editar

Formação do grupo (1999–2006

Ver artigos principais: Invasão do Iraque em 2003 e Insurgência iraquiana

 

Corpo de Abu Musab al-Zarqawi após ataque de forças dos Estados Unidos em 2006. Zarqawi foi o fundador grupo militante Tawhid wal-Jihad, que mais tarde se tornaria o Estado Islâmico.

Após a invasão do Iraque em 2003, o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, adepto do salafismo jihadista, e seu grupo militante, o Jamaat al-Tawhid wal-Jihad, fundado em 1999, alcançou notoriedade nos estágios iniciais da insurgência iraquiana por conta de ataques suicidas contra mesquitas islâmicas xiitas, civis, instituições do governo iraquiano e soldados italianos que faziam parte da coalizão militar internacional liderada pelos Estados Unidos. O grupo de Al-Zarqawi rompeu oficialmente com a rede al-Qaeda, de Osama bin Laden, em outubro de 2004, mudando seu nome para Tanzim Qaidat al-Jihad fi Bilad al-Rafidayn (تنظيم قاعدة الجهاد في بلاد الرافدين; "Organização de Base de Dados da Jihad na Mesopotâmia"), também conhecida como Al-Qaeda no Iraque (AQI).38 39 40 Os ataques do grupo contra civis, forças governamentais e de segurança iraquianas, diplomatas estrangeiros e comboios de soldados norte-americanos continuaram com aproximadamente a mesma intensidade. Em uma carta a al-Zarqawi em julho de 2005, Ayman al-Zawahiri, o então vice-líder da al-Qaeda, delineou um plano de quatro etapas para expandir a Guerra do Iraque, que incluía expulsar das forças norte-americanas do país, criar uma autoridade islâmica através de um califado, espalhar o conflito para os vizinhos seculares do Iraque e entrar em confronto com Israel, que a carta diz que só "foi criado só para desafiar qualquer nova entidade islâmica".41

 

Em janeiro de 2006, a AQI passou a trabalhar em conjunto com vários grupos insurgentes iraquianos menores sob o comando de uma organização guarda-chuva chamada o Conselho Shura Mujahideen (CSM). Em 7 de junho de 2006, al-Zarqawi foi morto em um ataque aéreo feito por forças dos Estados Unidos e foi sucedido como líder do grupo pelo militante egípcio Abu Ayyub al-Masri.42 43

 

Em 12 de outubro de 2006, o CSM uniu-se com três grupos menores e seis tribos sunitas islâmicas para formar a "Coalizão Mutayibeen", que jurou por Alá que iria "... livrar os sunitas da opressão dos rejeicionistas (xiitas) e cruzado ocupantes, ... restaurar nossos direitos mesmo que ao preço de nossas próprias vidas ... para fazer a palavra do Deus supremo do mundo e para restaurar a glória do Islã ... ".44 45 Um dia depois, o CSM declarou o estabelecimento do Estado Islâmico do Iraque (ISI), que incluía seis províncias árabes do Iraque, em sua maioria sunitas,46 sendo que Abu Omar al-Baghdadi foi anunciado como seu Emir.47 Al-Masri foi nomeado Ministro da Guerra.48

 

Estado Islâmico do Iraque (2006-2013)

Ver artigo principal: Guerra do Iraque

 

Insurgentes iraquianos em 2006.

 

Um exercício de treinamento conjunto entre militares dos Estados Unidos e do Iraque perto de Ramadi em novembro de 2009. O Estado Islâmico do Iraque havia declarado a cidade como a sua capital.

De acordo com um estudo elaborado por agências de inteligência dos Estados Unidos no início de 2007, o grupo planejava tomar o poder das áreas centrais e ocidentais do Iraque e transformá-las em um Estado islâmico sunita.49 O grupo ganhou força e no seu auge teve uma presença significativa nas províncias iraquianas de Al-Anbar, Diyala e Bagdá e reivindicou a cidade de Baquba como a sua capital.50 51 52 53

 

Em 2007, as tropas norte-americanas realizaram operações de enfraquecimento do grupo, o que resultou em dezenas de militantes capturados ou mortos.54 Entre julho e outubro de 2007, a al-Qaeda no Iraque parecia ter perdido suas bases militares seguras na província de Anbar e na região de Bagdá.55 Em 2008, uma série de ofensivas iraquianas e norte-americanas conseguiram expulsar os insurgentes de seus antigos refúgios seguros, como as províncias Diyala e Al Anbar, para a área da cidade de Mosul, o último grande campo de batalha contra a organização.56

 

Até 2008, o grupo descrevia-se como se estivesse em um estado de "crise extraordinária".57 As suas tentativas violentas de governar seu território levou a uma reação de iraquianos sunitas e outros grupos insurgentes e um declínio temporário na grupo, que foi atribuído a uma série de fatores.58

 

No final de 2009, o comandante das forças norte-americanas no Iraque, o general Ray Odierno, afirmou que a organização "tem se transformado significativamente nos últimos dois anos. O que antes era dominado por indivíduos estrangeiros tornou-se cada vez mais dominado por cidadãos iraquianos".59 Em 18 de abril de 2010, dois líderes do grupo, Abu Ayyub al-Masri e Abu Omar al-Baghdadi, foram mortos em um ataque conjunto EUA-Iraque perto de Tikrit.60 Em uma conferência de imprensa em junho de 2010, o general Odierno informou que 80% dos 42 principais líderes da organização, incluindo recrutadores e financistas, haviam sido mortos ou capturados, com apenas oito restantes em geral. Ele disse que foram retirados da liderança da al-Qaeda no Paquistão.61 62 63

 

Em 16 de maio de 2010, Abu Bakr al-Baghdadi foi apontado como o novo líder do Estado Islâmico do Iraque.64 65 Al-Baghdadi reabasteceu a liderança do grupo, visto que muitos haviam sido mortos ou capturados, com a nomeação de antigos oficiais militares e de inteligência que serviram durante o regime de Saddam Hussein. Esses homens, quase todos os quais tinha passado um tempo preso pelos militares norte-americanos, tornaram-se cerca de um terço dos 25 principais comandantes de Baghdadi. Um deles era um ex-coronel, Samir al-Khlifawi, também conhecido como Haji Bakr, que se tornou o comandante militar geral encarregado de supervisionar as operações do grupo.66 67

 

Em julho de 2012, al-Baghdadi lançou um comunicado de áudio on-line anunciando que o grupo estava voltando aos antigos redutos de que as tropas norte-americanas e seus aliados sunitas os tinha expulsado em 2007 e 2008.68 Ele também declarou o início de uma nova ofensiva no Iraque para libertar membros do grupo detidos nas prisões iraquianas.68 A violência no Iraque havia começado a crescer em junho de 2012, principalmente por conta de ataques com carros-bomba e, em julho de 2013, mais de 1000 mortes mensais foram registradas pela primeira vez desde abril de 2008.69

 

Guerra Civil Síria (2011-presente)

Ver artigo principal: Guerra Civil Síria

Em março de 2011, início dos protestos na Síria contra o governo de Bashar al-Assad. Nos meses seguintes, a violência entre manifestantes e forças de segurança levou a uma militarização gradual do conflito.70 Em agosto de 2011, al-Baghdadi começou a enviar membros sírios e iraquianos do seu grupo, com experiência em guerrilha, para a Síria para estabelecer uma organização no interior do país. Liderados por um sírio conhecido como Abu Muhammad al-Julani, este grupo começou a recrutar combatentes e estabelecer células de todo o país.71 72 Em 23 de janeiro de 2012, o grupo anunciou sua formação como a Frente al-Nusra, que cresceu rapidamente para uma força de combate forte, com apoio popular entre os sírios que fazem oposição ao governo Assad.71

 

Estado Islâmico do Iraque e do Levante (2013–2014)

 Estado Islâmico do Iraque e do Levante

الدولة الاسلامية في العراق والشام

Flag of the Islamic State of Iraq and the Levant2.svg

País        Iraque

Síria

Criação 200373 ou out/200474

História

Guerras/batalhas            Guerra do Iraque

Primeira guerra civil

Segunda guerra civil

Guerra Civil Síria

Conflito no Líbano75 76

Líbia/Egito77 78

Iêmen79

Tunísia80

Logística

Efetivo 80 000 – 100 000 (cerca de 50 000 na Síria e 30 000 no Iraque, segundo o OSDH)81 82

20 000 – 31 50083

(segundo a CIA)

Comando

Comandante     Abu Musab al-Zarqawi73 † (2004–2006)74

Abu Ayyub al-Masri73 † (2006–2010)74

Abu Omar al-Baghdadi † (2006-2010)74

Abu Bakr al-Baghdadi84 (2010–presente)

Em 8 de abril de 2013, al-Baghdadi lançou um comunicado onde anunciou que a Frente al-Nusra tinha sido estabelecida, financiada e apoiada pelo Estado Islâmico do Iraque85 e que os dois grupos foram fundidos sob o nome "Estado Islâmico do Iraque e do Levante" (EIIL).86 Al-Jawlani divulgou um comunicado negando a fusão e reclamando que nem ele nem qualquer outra pessoa na liderança da al-Nusra havia sido consultada sobre o assunto.87 A campanha do EIIL para libertar membros presos culminou em julho de 2013 com a realização de invasões nas prisões de Taji e Abu Ghraib, que liberaam mais de 500 prisioneiros, muitos deles veteranos da insurgência iraquiana.69 88 Em outubro de 2013, al-Zawahiri ordenou a dissolução do EIIL, colocando a Frente al-Nusra como a encarregada dos esforços jihadistas na Síria,89 mas al-Baghdadi contestou a decisão de al-Zawahiri, com base na jurisprudência islâmica e seu grupo continuou a operar na Síria. Em fevereiro de 2014, depois de uma luta de poder de oito meses, a Al-Qaeda desmentiu qualquer relação com o EIIL.35

Segundo a jornalista Sarah Birke, há "diferenças significativas" entre a Frente al-Nusra e o EIIL. Enquanto al-Nusra clama ativamente pela derrubada do governo Assad, o EIIL "tende a ser mais focado em estabelecer o sua próprio governo no território conquistado", sendo "muito mais implacável" na construção de um Estado islâmico, na "realização de ataques sectários e em impor a lei sharia". Apesar da al-Nusra tem um "grande contingente de combatentes estrangeiros", ela é vista como um grupo local por muitos sírios; pelo contrário, os militantes do EIIL têm sido descritos como "ocupantes estrangeiros" por muitos refugiados sírios.90 Ele tem uma forte presença na região central e do norte da Síria, onde se instituiu a sharia em várias cidades.90 O grupo controlava as quatro cidades fronteiriças de Atmeh, al-Bab, Azaz e Jarablus, permitindo-lhe controlar a entrada e a saída entre o território sírio e a Turquia.90

 

No início de 2014, a organização terrorista lançou uma grande ofensiva na província de Al-Anbar que resultou em severos combates nas cidades de Fallujah e de Ramadi91 ; diversos grupos rebeldes sírios, dentre eles integrantes do Exército Livre da Síria, da Frente Islâmica e da Frente Revolucionária Síria, em uma ação apoiada pela Coalizão Nacional Síria, iniciaram uma ofensiva contra posições dos grupos extremistas nas províncias de Idlib e Aleppo, que matou pelo menos 36 e capturou mais de 100 integrantes do EIIL.92 Os combates entre grupos rebeldes moderados e jihadistas prosseguiriam nas primeiras semanas de 2014 e ceifaram a vida de mais de 1 400 pessoas.93

 

Enquanto a luta na Síria se intensificava, o EIIL lançaram-se em uma série de ofensivas e atentados por todo o Iraque, especialmente na fronteira sírio-iraquiana e na região norte. Avanços foram reportados na província de Nínive e diversas cidades, como Mossul, foram atacadas. Em junho de 2014, em uma nova rodada de investidas, boa parte da cidade de Tikrit caiu em mãos dos jihadistas que ganhavam terreno no caminho a Bagdá. O exército iraquiano conseguiu deter ofensivas dos insurgentes em Samarra e forçou o recuo dos rebeldes em Baiji, enquanto tentavam reagir para manter a ordem no país. A nova onda de violência no Iraque, perpetrado pelo Dawlat al-ʾIslāmiyya, teria deixado centenas de mortos e milhões de refugiados.94 O EIIL tem também cometido atrocidades contra sua próprio seita para silenciar vozes moderadas, como no caso do assassinato de 13 clérigos muçulmanos sunitas em junho de 2014 em Mosul.95

 

Em resposta a intensificação dos combates, que ameaçavam desestabilizar a região e o governo do Iraque, os Estados Unidos lançaram uma campanha aérea contra o Estado Islâmico, bombardeando alvos de importância militar do grupo. Como um contra-ponto ao EIIL, os americanos também afirmaram que iriam aumentar a assistência militar a grupos ditos como moderados na Síria e ainda colocariam mais conselheiros militares em solo iraquiano.96 97

Auto-proclamado "Estado Islâmico" (junho de 2014–presente)[editar | editar código-fonte]

Território atual:

     Áreas controladas pelo Estado Islâmico

     Países em que o Estado Islâmico declara ter presença ou áreas sobre o seu controle

Ver artigos principais: Ofensivas do Estado Islâmico no Iraque e na Síria e Intervenção militar estrangeira

Em 29 de junho de 2014, o EIIL declarou oficialmente a criação de um Califado Islâmico na Síria e no Iraque. Enquanto isso, a violência sectária e religiosa na região se intensificava consideravelmente.98

 

Em 12 de setembro, de acordo com a agência de notícias France-Presse, o EIIL fez um acordo de paz com outros grupos rebeldes sírios. No entendimento, as diferentes facções colocariam suas diferenças de lado para unir forças contra Bashar al-Assad. Dois dias depois, um representante da Coalizão Nacional Síria negou qualquer pacto com os extremistas, mas afirmou não poder falar pelos outros grupos.99

 

Entre os primeiros dias de Novembro, a cidade de Darnah na Líbia entrou para a lista das cidades do Estado Islâmico, ela foi a primeira cidade fora da Síria e Iraque a ser incorporada ao califado de Abu Bakr al-Baghdadi.100

 

Em 13 de novembro de 2014, o grupo anunciou um acordo de paz com a Al Nusra.101

 

Caças F-15E da Força Aérea dos Estados Unidos sobrevoam o território iraquiano em setembro de 2014.

Caças F-15E da Força Aérea dos Estados Unidos sobrevoam o território iraquiano em setembro de 2014.

Posição do EIIL destruída pela coalizão militar liderada pelos Estados Unidos em Kobanî, Síria.

Posição do EIIL destruída pela coalizão militar liderada pelos Estados Unidos em Kobanî, Síria.

No dia 8 de dezembro de 2014, foi anunciado que a coalizão enviaria pela primeira vez, cerca de 1.500 soldados com o propósito de combater o grupo, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aprovou o envio de outros 1.600 militares para treinar e assessorar as forças iraquianas.102

 

Em 2015 a área de influência do Estado Islâmico atravessou as fronteiras da Síria e do Iraque. Grupos em vários outros países afirmaram ser ligados ao EI e conquistaram territórios por todo o mundo islâmico. No Iêmen, uma nação descentralizada e em caos político, militantes deste grupo começaram a recrutar pessoal no leste do país para tentar ganhar território, rivalizando diretamente com a Al-Qaeda na Península Arábica.103 No Afeganistão, o governo de Cabul afirmou que o EIIL também havia estabelecido uma presença no país, contando com centenas de combatentes para lutar contra as forças da coalizão, as autoridades locais e até grupos jihadistas rivais na região (como o Taliban).104 Na Líbia, onde a organização já tinha uma presença na cidade de Derna,105 militantes islamitas começaram a tentar espalhar suas áreas de controle pelo país. Assim como em outros territórios que ocupam, o EIIL perpetrou várias atrocidades em solo líbio. Em fevereiro de 2015, eles decapitaram vinte e um cristãos coptas egípcios na província de Trípoli. Em resposta, o governo egípcio ordenou que sua força aérea conduzisse ataques contra áreas sob controle do Estado Islâmico na Líbia.106

 

Nesse meio tempo, na Síria e no Iraque o Estado Islâmico cedia pouco terreno aos seus rivais e inimigos, mas também não conseguiam conquistar novos territórios. Parte deste retrocesso deve-se ao aumento da intensidade dos ataques aéreos de aeronaves da Coalizão ocidental e nações árabes da região. Na cidade síria de Kobanî, milícias curdas conseguiram expulsar, depois de quatro meses de luta, os militantes do EI da área.107 Enquanto isso, em amplas frentes de batalha por toda a região, sangrentas lutas eram travadas. Os avanços do EIIL geravam ondas de milhares de refugiados e centenas de cadáveres, agravando a crise humanitária naquela parte do mundo.108 Em meados de abril de 2015, o exército iraquiano (apoiado por militares iranianos e por aviões do ocidente) retomaram Tikrit, a segunda maior cidade do Iraque em mãos do Estado Islâmico, após semanas de violentos combates.109

 

Estrutura

Objetivos

Território reivindicado pelo Estado Islâmico no mundo.

Desde 2004, a principal meta do grupo é a fundação de um Estado islâmico.110 111 O EIIL procurou estabelecer-se como um califado, um tipo de Estado islâmico liderado por um grupo de autoridades religiosas sob o comando de um líder supremo, o califa, que se acredita ser o sucessor de Maomé.112 Em junho de 2014, o EIIL publicou um documento em que afirmava ter rastreado a linhagem de seu líder al-Baghdadi até Maomé112 e, depois da proclamação de um novo califado em 29 de junho, o grupo nomeado al-Baghdadi como seu califa. Como califa, ele exigiu a lealdade e obediência de todos os muçulmanos do mundo, de acordo com a jurisprudência islâmica (fiqh).113

 

Quando o califado foi proclamado, o EIIL declarou: "A legalidade de todos os emirados, grupos, Estados e organizações torna-se nulo pela expansão da autoridade do califado e pela chegada de suas tropas em suas áreas."112 Isto foi uma rejeição das divisões políticas do Oriente Médio conforme estabelecidas pelas potências ocidentais durante a Primeira Guerra Mundial no Acordo Sykes-Picot.114 115 116

 

No final de 2014, um membro do EIIL afirmou que eles iriam humilhar soldados dos Estados Unidos na Síria e levantar a "bandeira de Alá" sobre a Casa Branca.117 O mesmo membro também ameaçou "libertar" a cidade de Istambul, se a Turquia não abrir uma represa que tem vindo a limitar o fluxo de água para a Síria e o Iraque.117 Falando aos ocidentais, um militante da Bélgica disse: "Se Deus quiser, o califado foi estabelecido e nós vamos invadir vocês como vocês nos invadiram. Nós vamos capturar as suas mulheres como você capturou nossas mulheres. Nós vamos deixar seus filhos órfãos como vocês deixaram órfãos os nossos filhos".117

 

Governo e liderança

O grupo é dirigido e administrado por Abu Bakr al-Baghdadi, ao lado de um gabinete de conselheiros. Existem dois vice-líderes, Abu Muslim al-Turkmani para o Iraque e Abu Ali al-Anbari para a Síria, e 12 governadores locais nos territórios conquistados. Abaixo dos líderes estão os conselhos sobre finanças, liderança, assuntos militares, assuntos jurídicos, o que inclui as decisões sobre a execução de estrangeiros, segurança, inteligência e meios de comunicação. Além disso, um conselho Shura tem a tarefa de assegurar que todas as decisões tomadas pelos governadores e conselhos sejam cumpridas de acordo com a interpretação do grupo da sharia.118 A maioria da liderança do EIIL é dominada por iraquianos, principalmente entre os antigos membros do regime de Saddam Hussein. Tem sido relatado que iraquianos e sírios têm recebido maior prioridade em relação a outras nacionalidades dentro EIIL.119 120 121 122

 

 

Abu Bakr al-Baghdadi, considerado o califa do Estado Islâmico.

O The Wall Street Journal estimou em setembro 2014 que oito milhões de iraquianos e sírios viviam em áreas controladas pelo EIIL. Ar-Raqqah na Síria é a sede de facto do grupo.123 Em setembro de 2014, o governo de Ar-Raqqah passou para o controle total do EIIL, que reconstruiu a estrutura de governo em menos de um ano. Os ex-funcionários do governo do governo Assad mantiveram seus empregos após prometerem lealdade ao EIIL. A barragem de Ar-Raqqah continua a fornecer eletricidade e água. Serviços de assistência social são fornecidos, o controle de preços estabelecido e os há impostos incidentes sobre os ricos. O EIIL executa um programa de soft power nas áreas sob seu controle no Iraque e na Síria, o que inclui o fornecimento de serviços sociais, palestras religiosas e o dawa, o proselitismo religioso para as populações locais. O grupo também executa serviços públicos, tais como a reparação de estradas e a manutenção do fornecimento de energia elétrica.124

 

O especialista britânico em segurança Frank Gardner concluiu que as perspectivas de manutenção do controle e do domínio do EIIL eram maiores em 2014 do que em 2006. Apesar de ser tão brutal quanto antes, a organização tornou-se "bem entrincheirada" entre a população e não é susceptível de ser desalojada por forças sírias ou iraquianos ineficazes. Eles substituíram a governança corrupta anterior com a implementação de autoridades controladas localmente, os serviços foram restaurados e há um fornecimento adequado de água e combustíveis.125 126 Reforçando regra ISIL é o controle da a produção de trigo, que é aproximadamente 40% da produção do Iraque. O EIIL tem mantido a produção de alimentos, crucial para a governabilidade e o apoio popular.127

 

Características

Quando conquista localidades, o EIIL:

 

pendura bandeira negra no topo do prédio mais alto;

inicia uma campanha para conquistar corações e mentes, por meio da prestação de serviços sociais128 em locais devastados pela guerra;

distribuem pen drives com cânticos jihadistas e vídeos que mostram as operações militares do grupo e folhetos que pregam contra a democracia, sobre a necessidade de permanecer em silêncio e excomungar os alauitas;

começa a impor gradualmente a sua interpretação estrita da lei islâmica.

Avalia-se que suas práticas abusivas129 , combinada com uma estratégia internacional para limitar sua influência, pode inviabilizar seu plano para transformar o norte da Síria em um emirado islâmico sob seu comando. Para derrotar o EIIL, avalia-se que os Estados Unidos possam cooptar líderes tribais130 para lutar contra os fundamentalistas, numa estratégia similar àquela utilizada para derrotar a al-Qaeda no Iraque. Por sua vez, o EIIL procura minar, por meio de intimidação, a formação de uma aliança de sírios, apoiados pelo ocidente, que pudesse vir a atacar suas posições.

 

Ideologia e crenças

O EIIL é um grupo extremista que segue a linha-dura ideológica da Al-Qaeda e adere aos princípios da jihad global.131 Muitos outros grupos jihadistas modernos como al-Qaeda e EIIL surgiram a partir da ideologia da Irmandade Muçulmana, que remonta ao final dos anos de 1920 no Egito,132 que segue uma interpretação anti-ocidental extrema do Islã, promove a violência religiosa e considera aqueles que não concordam com a sua interpretação como infiéis e apóstatas. Ao mesmo tempo, pretende-se estabelecer um Estado islâmico salafalista orientado no Iraque, na Síria e em outras partes do Levante.131 A sua ideologia tem origem no ramo do Islã moderno, que pretende voltar para os primeiros dias do Islã, rejeitando posteriores "inovações" na religião que eles acreditam ser corrupta em seu espírito original.

 

Propaganda

Logo da "al-Hayat", uma cópia muito próxima do símbolo da Al Jazeera.

O EIIL é conhecido pela utilização ampla e eficaz de propaganda.133 O grupo usa uma versão da bandeira muçulmana do Estandarte Negro e desenvolveu um emblema que tem significado simbólico claro no mundo muçulmano.134

 

Em novembro de 2006, pouco depois da renomeação da organização para "Estado Islâmico do Iraque", o EIIL criou o "al-Furqan Institute for Media Production", que produz CDs, DVDs, cartazes, panfletos e produtos de propaganda na internet.135

 

O principal meio de comunicação do grupo é a "I'tisaam Media Foudation",136 que foi formada em março de 2013 e distribui através do "Global Islamic Media Front" (GIMF).137

 

Em 2014, o EIIL estabeleceu o "al-Hayat Media Center", que tem como alvo o público ocidental e produz materiais em inglês, alemão, russo e francês.138 139

 

Além disso, em 2014, foi criada a "Ajnad Media Foundation", que libera áudios de cânticos jihadistas.140 Desde julho de 2014, al-Hayat começou a publicar uma revista digital chamada Dabiq, em diferentes idiomas, incluindo o inglês. Segundo a revista, o seu nome é retirado da cidade de Dabiq, no norte da Síria, que é mencionado em um hadith sobre o Armagedom (ver Escatologia islâmica).141

 

Recursos financeiros

Em 2014, a RAND Corporation realizou um estudo de cartas (200 documentos pessoais, relatórios de despesas e listas de adesão) que tinham sido capturados do Estado Islâmico do Iraque (al-Qaeda no Iraque).142 Eles descobriram que, entre 2005 e 2010, doações externas responderam por apenas 5% do orçamento de funcionamento do grupo, sendo que o restante era levantado dentro do próprio Iraque.142 No período de tempo estudado, as células eram obrigados a enviar até 20% da renda gerada a partir de sequestros, extorsões e outras atividades para o próximo nível de liderança do grupo. Os comandantes de nível superior, então, redistribuiam os fundos para as células provinciais ou locais que estavam em dificuldades, ou que precisavam de dinheiro para conduzir ataques.142 Os registros mostram que o Estado Islâmico do Iraque era dependente de membros de Mosul para conseguir dinheiro, que a liderança usava para fornecer fundos adicionais para militantes em Diyala, Salahuddin e Bagdá.142

 

Em meados de 2014, a inteligência iraquiana obteve informações de um agente EIIL que revelou que a organização tinha um patrimônio de 2 bilhões de dólares,143 o que a tornaria o mais rico grupo jihadista no mundo.144 Acredita-se que cerca de três quartos dessa soma seja proveniente de bens apreendidos depois que o grupo capturou a cidade de Mosul, em junho de 2014; isso inclui possivelmente até 429 milhões de dólares saqueados do Banco Central de Mosul, junto com milhões adicionais e uma grande quantidade de barras de ouro roubadas de uma série de outros bancos na cidade.145 146

 

A exportação de petróleo dos campos petrolíferos capturados traz em dezenas de milhões de dólares.125 147 Um funcionário do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos estimou que o Estado Islâmico ganha 1 milhão de dólares por dia a partir da exportação de petróleo. Grande parte do petróleo é vendido ilegalmente na Turquia.148 Analistas de energia com sede em Dubai têm estimado a receita do petróleo combinada da produção iraquiana e síria do EIIL em 3 milhões de dólares por dia.149 O grupo também extrai a riqueza através de impostos e de extorsão.148

 

Crimes de guerra

No início de setembro de 2014, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas concordou em enviar uma equipe ao Iraque e à Síria para investigar os abusos e assassinatos realizados pelo Estado islâmico em "uma escala inimaginável". Zeid Ra'ad al Hussein, da Jordânia, que assumiu o posto de Navi Pillay como o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, pediu aos líderes mundiais que intervenham para proteger as mulheres e crianças que sofrem nas mãos dos militantes extremistas islâmicos do grupo, que, segundo ele, estavam tentando para criar uma "casa de sangue". Ele apelou à comunidade internacional para concentrar os seus esforços em acabar com o conflito no Iraque e na Síria.150

 

Em julho de 2014, a BBC informou que o investigador-chefe das Nações Unidas afirmou que os "combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isis) podem ser adicionados a uma lista de suspeitos de crimes de guerra na Síria."151

 

Em agosto de 2014, a Organização das Nações Unidas acusou o Estado Islâmico de cometer "atrocidades" e crimes de guerra.152 153

 

Perseguição religiosa

Refugiados yazidis nas Montanhas Sinjar.

O ISIS obriga as pessoas que vivem nas áreas que controla, sob ameaça de pena de morte, tortura ou mutilação, a se converter ao islamismo e viver de acordo com a sua interpretação do islã sunita e a lei charia.22 31 O grupo direciona a violência principalmente contra muçulmanos xiitas, assírios, caldeus, siríacos nativos, cristãos armênios, yazidis, drusos, shabaks e mandeanos.32

 

A Anistia Internacional acusou o ISIS de promover uma limpeza étnica dos grupos minoritários que vivem no norte do Iraque.154

 

Tratamento dado aos civis

Durante o conflito no Iraque em 2014, o ISIS lançou dezenas de vídeos mostrando maus-tratos contra civis, muitos dos quais tinham sido aparentemente direcionados com base na religião ou etnia das pessoas. Navi Pillay, a então Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, alertou para os crimes de guerra ocorridos na zona de guerra do Iraque e divulgou um relatório que afirmava que militantes do ISIS estavam assassinando soldados do exército iraquiano e 17 civis em uma única rua da cidade de Mosul. A ONU informou que nos 17 dias entre 5 e 22 de junho, o ISIS matou mais de 1.000 civis iraquianos e feriu mais de 1.000 pessoas.155 156 157 Depois do ISIS divulgar fotos de seus combatentes atirando em dezenas de jovens, as Nações Unidas declararam que as "execuções a sangue frio", que teriam sido feitas por militantes no norte do Iraque, quase certamente podem ser consideradas crimes de guerra.158

 

O avanço de ISIS no Iraque em meados de 2014 foi acompanhado pela violência contínua na Síria. Em 29 de maio, uma aldeia síria foi invadida pelo ISIS e pelo menos 15 civis foram mortos, incluindo, de acordo com a Human Rights Watch, pelo menos seis crianças.159 Um hospital na área confirmou ter recebido 15 corpos no mesmo dia.160 O Observatório Sírio de Direitos Humanos informou que em 1 de junho, um homem de 102 anos de idade foi morto junto com toda a sua família em uma aldeia em Hama.161

 

O ISIS recrutou para o combate crianças iraquianas, que podem ser vistas com máscaras em seus rostos e armas na mão enquanto patrulham as ruas de Mosul.162

 

Denúncias de violência sexual

De acordo com um relatório, a captura de cidades iraquianas pelo ISIS em junho 2014 foi acompanhada por um aumento nos crimes contra as mulheres, incluindo sequestro e estupro.163 164 165 166 O jornal The Guardian informou que a agenda extremista do ISIS abrange os corpos das mulheres e que as mulheres que vivem sob o controle do grupo estavam sendo capturadas e estupradas.167 Basma al-Khateeb, uma ativista dos direitos das mulheres baseada em Bagdá, disse que existe uma cultura de violência no Iraque contra as mulheres em geral e tinha certeza de que a violência sexual contra a mulher estava acontecendo em Mosul envolvendo não só o ISIS, mas todos os grupos armados envolvidos no conflito.168

 

Durante um encontro com Nouri al-Maliki, o ministro das relações exteriores britânico, William Hague, disse em relação a ISIS: "Qualquer um que glorifique, apoie ou participe deve entender que eles estariam ajudando um grupo responsável pelo sequestro, tortura, execuções, estupros e muitos outros crimes hediondos".169 De acordo com Martin Williams publicou no jornal sul-africando The Citizen, alguns salafistas linha-dura, aparentemente, consideram o sexo extraconjugal com múltiplas parceiras uma forma legítima de guerra santa e é "difícil de conciliar isso com a religião, onde alguns adeptos insistem que as mulheres devem ser cobertas da cabeça aos pés, com apenas uma fenda estreita para os olhos".170

 

Haleh Esfandiari do Woodrow Wilson International Center for Scholars destacou o abuso de mulheres locais por militantes ISIS depois de terem capturado uma área. "Eles costumam levar as mulheres mais velhas a um mercado de escravos improvisado e tentam vendê-las. As meninas mais jovens ... são estupradas ou forçadas a casar com os combatentes", disse ela, acrescentando: "É baseando-se nesses casamentos temporários e que esses militantes têm feito sexo com essas meninas, quando então eles simplesmente as passam para outros combatentes".171 Meninas iraquianas do grupo étnico yezidi que foram violadas por combatentes ISIS se suicidaram saltando para a morte das Montanhas Sinjar, conforme descrito em um depoimento.172

 

Regimento imposto aos civis conquistados

Depois de o Estado islâmico auto-proclamar a captura de cidades no Iraque, o ISIS divulgou orientações sobre como os civis dominados devem usar roupas e véus. O ISIS alertou as mulheres na cidade de Mosul para usar o véu de rosto inteiro ou sofreriam punições severas.173 174 Um clérigo disse à Reuters em Mosul que pistoleiros do ISIS lhe havia ordenado a ler o aviso em sua mesquita, quando os fiéis se reuniam.173 O ISIS também proibiu manequins nus e ordenou que os rostos de manequins de ambos os sexos fossem cobertos.175 O ISIS lançou 16 notas intituladas "Contrato da Cidade", um conjunto de regras destinadas a civis em Nínive. Uma regra estipulava que as mulheres devem ficar em casa e não sair para a rua, a menos que seja necessário. Outra regra diz que o roubo seria punido com a amputação.176

 

Além da proibição da venda e uso de álcool (que é habitual na cultura muçulmana), os militantes proibiram a venda e uso de cigarros e narguilés. Eles também têm proibido "música e canções em carros, em festas, em lojas e em público, assim como fotografias de pessoas nas vitrines das lojas".177

 

Os cristãos que vivem em áreas sob controle ISIS que queiram permanecer no território do "califado" tem apenas três opções: se converter ao islamismo; pagar um imposto religioso (o jizya); ou morrer.178 O ISIS já havia estabelecido regras semelhantes para os cristãos em Ar-Raqqah, na Síria, que era uma das cidades mais liberais do país antes da dominação.179 180

 

Destruição de Patrimônio da Humanidade

 

Lamassu na porta do palácio de Assurnasirpal II em Nimrud, em 2007. O EIIL destruiu a cidade antiga assíria em março de 2015.

Irina Bokova, a diretora-geral da UNESCO, alertou que o EIIL está a destruir o patrimônio cultural do Iraque, no que ela chamou de "limpeza cultural". "Não temos tempo a perder, porque os extremistas estão tentando apagar a identidade, porque eles sabem que, se não há identidade, não há memória, não há história", disse ela.181 Saad Eskander, diretor dos Arquivos Nacionais do do Iraque Arquivos disse: "Pela primeira vez você tem de limpeza cultural ... Para os yazidis, a religião é oral, nada é escrito pela destruição de seus lugares de culto ... você está matando a memória cultural. É o mesmo com os cristãos ... é realmente uma ameaça que vai além da crença."182

 

Para financiar suas atividades, o grupo rouba artefatos históricos e culturais da Síria183 e do Iraque e enviá-os para a Europa para serem vendidos. Estima-se que o EIIL levante 200 milhões de dólares por ano a partir da pilhagem cultural. A UNESCO pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que controle a venda de antiguidades, semelhante ao que foi imposto após a guerra do Iraque em 2003. A UNESCO também está trabalhando com a Interpol, as autoridades aduaneiras nacionais, museus e grandes casas de leilão, na tentativa de impedir que os itens roubados sejam vendidos.182 O EIIL ocupou o Museu de Mosul, o segundo museu mais importante no Iraque, quando o local estava estava prestes a ser reaberto depois de anos de reconstrução dos danos causados após a guerra do Iraque. O grupo então destruiu todo o acervo da instituição cultural alegando que as estátuas da antiguidade eram contra o islamismo.184 185

 

 

Cidade antiga de Hatra, fundada no século III a.C. pelo Império Selêucida, considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 1985 e destruída pelo Estado Islâmico em 2015.

O Estado Islâmico considera que a "adoração" de sepulturas equivale a idolatria e procura purificar a comunidade de crentes. O grupo usou escavadeiras para esmagar edifícios e sítios arqueológicos. O professor da Universidade de Princeton Bernard Haykel descreveu a ideologia de al-Baghdadi como "uma espécie de wahhabismo indomável", dizendo: "Para a Al Qaeda, a violência é um meio para um fim; para o EIIL, ela é um fim em si mesmo". A destruição do túmulo e santuário do profeta Yunus (ou Jonas para os cristãos), da mesquita de Imam Yahya Abu al-Qassimin do século XIII, do santuário do século XIV do profeta Jerjis (São Jorge para os cristãos) e a tentativa de destruição do minarete de Hadba do século XII na mesquita de Al-Nuri têm sido descritas como "uma explosão desenfreada do extremismo wahhabista".186 "Houve explosões que destruíram edifícios que remontam à época assíria", disse o diretor do Museu Nacional do Iraque, Qais Rashid, referindo-se à destruição do santuário de Yunus. Ele citou um outro caso em que o "Daesh (EIIL) reuniu mais de 1.500 manuscritos de conventos e outros lugares sagrados e queimaram todos eles no meio da praça da cidade".187 Em março de 2015, o grupo destruiu a cidade antiga assíria de Nimrud, datada do século XIII a.C. Irina Bokova, da UNESCO, classificou o ato como uma "nova barbárie" e um "crime de guerra" que exige uma "mobilização sem precedentes" da comunidade internacional.188 Em 7 de março de 2015 o EIIL também destruiu as ruínas de Hatra, um Patrimônio da Humanidade localizado em Ninawa, região dominada pelos terroristas.189 "A destruição de Hatra marca um momento decisivo na lamentável estratégia de limpeza cultural no Iraque", afirmou Bokova.190

 

Designação como organização terrorista

Entidade             Data      Autoridade        Referências

Organizações multinacionais

 Nações Unidas                18 de outubro de 2004  Conselho de Segurança               191

 União Europeia               2004      Conselho Europeu (ao adotar as sanções da ONU)         192

Nações

 Reino Unido     Março de 2001 (como parte da al-Qaeda)

20 de junho de 2014 (após a separação da alQaeda)    Secretário de Estado

para os Assuntos Internos          15

 Estados Unidos               17 de dezembro de 2004             Departamento de Estado            14

 Austrália             2 de março de 2005        Autoridade-Geral para a Austrália           16

 Canadá               20 de agosto de 2012     Parlamento        17

 Turquia               30 de outubro de 2013  Grande Assembleia Nacional     193 194

 Arábia Saudita 7 de março de 2014        Decreto real do Rei da Arábia Saudita    19

 Indonésia          1 de agosto de 2014       Agência Nacional Contraterrorismo        18

 Emirados Árabes Unidos            20 de agosto de 2014     Gabinete governamental            195

 Israel    3 de setembro de 2014 Ministério da Defesa     196 197 198

 Malásia               24 de setembro de 2014              Ministério das Relações Exteriores         199

 Egito     30 de novembro de 2014             Tribunal do Cairo para Assuntos Urgentes          200 201

 Índia     16 de dezembro de 2014             Ministério de Assuntos Internos             202 203

 Rússia  29 de dezembro de 2014             Suprema Corte da Federação Russa       204

Ver também[editar | editar código-fonte]

"Jihadista John"

Frente al-Nusra

Fundamentalismo islâmico

Insurgência iraquiana (2003-2011)

Insurgência iraquiana (2011-presente)

Islamofobia

Salafismo

Wahhabismo

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Ir para cima ↑ Ao prestar tais serviços (atividades que são divulgadas por meio de dezenas de vídeos distribuídos pela organização), o EIIL procura provar que a Al Qaeda pode fazer contribuições positivas e que aprendeu com os erros que cometeu quando dominou amplas áreas no Iraque na década passada, que levaram os sunitas iraquianos a se rebelaram contra sua brutal forma de atuação.

Ir para cima ↑ Similares àquelas que fizeram com que al-Qaeda perdesse o apoio em países como o Mali e o Iêmen, tais como a perseguição a ativistas da oposição à sua visão islâmica linha-dura (tais como o padre jesuíta Paolo Dall'Oglio) e o sequestro de jornalistas, que passaram a evitar áreas de influência do grupo. Também cabe mencionar que um de seus combatentes estrangeiros foi executado pelo Exército Livre da Síria, acusado de ter molestado sexualmente várias crianças no norte da cidade de al-Dana. Além disso, na cidade de Tel Abyad, na província de Raqqa, o EIIL roubou cestas básicas que a Unidade de Coordenação de Assistência da Coalizão Nacional Síria da Oposição e das Forças Revolucionárias pretendia entregar a civis, pois a Coalização recusou-se a fazer tal entrega em conjunto com o EIIL. Como exemplo da insatisfação da população local contra o domínio do EIIL, cabe registrar também uma manifestação que ocorreu em Raqqa, em junho de 2013. Por outro lado, em 2013, o grupo procurava excluir militantes acusados de práticas abusivas, como o Emir al-Banat, oriundo do Daguestão e suspeito de assassinar dois padres, e o Emir Seifullah, um checheno oriundo de Pankisi Gorge que foi o Secretário de Imprensa da divisão de combatentes oriundos do Cáucaso (v. Influence of Chechen Leader of North Caucasian Fighters in Syria Grows, em inglês, acesso em 03 de janeiro de 2013.).

Ir para cima ↑ Entre os líderes tribais que poderiam ser cooptados, citam-se: Bashir al-Huwaydi e Mahmud al-Khabur da tribo Afadla (o maior clã em Raqqa) e Nawaf al-Bashir, da tribo Baqqara, que exerce domínio nas províncias de Deir al-Zour e Hasaka.

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Fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Isl%C3%A2mico_do_Iraque_e_do_Levante