Apontado como um representante da esquerda bolivariana sul-americana, seguidora das ideias do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez

Ter, 17 de Junho de 2014 19:50 Acessos: 3031
Imprimir

CRIANÇA INDIO

INDIGENISMO E POLÍTICA INDIGENISTA 

Rafael Correa: indigenismo infantil vê a pobreza como parte do folclore

Apontado como um representante da esquerda bolivariana sul-americana, seguidora das ideias do falec... Ver mais

FRANCO DA ROCHA NEWS 17 DE JUNHO DE 2014, 18h31

COLUNA ACONTECE AGORA - www.francodarochanews.jex.com.br

INDIGENISMO E POLÍTICA INDIGENISTA 

Rafael Correa: indigenismo infantil vê a pobreza como parte do folclore

Apontado como um representante da esquerda bolivariana sul-americana, seguidora das ideias do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez, o presidente do Equador, Rafael Correa, tem surpreendido ao investir contra alguns temas caros à agenda daquelas forças políticas, como as ideologias de gênero e indigenista.

Uma das brigas sérias que comprou com os aparatos internacionais que manipulam as causas ambientais e indígenas foi a decisão de abrir espaço para a expansão da exploração de petróleo em terras ocupadas por povos indígenas, na Amazônia equatoriana.

 

De forma significativa, em um país em que 7% da população são indígenas (proporcionalmente, 17 vezes mais que o Brasil), em diversas ocasiões, Correa tem feito contundentes observações contrárias à retrógrada agenda indigenista na América Latina. Em uma destas, na Cúpula Ibero-americana de Cádiz, em novembro de 2012, ele afirmou: “Sempre disse que o mais perigoso é o esquerdismo do tudo ou nada e o indigenismo infantil, que vê a pobreza como parte do folclore, que aceita as pessoas vivendo na miséria como parte de uma bela paisagem (IzquierdaHispanica.org, 16/11/2012).”

 

Correa, que ocupa a presidência desde janeiro de 2007, é formado em Economia e estudou nos Estados Unidos e na Europa. Filiado à esquerdista Alianza PAIS (Patria Ativa Soberana), se define como um “humanista cristão de esquerda” e sua orientação política é inspirada pela Doutrina Social da Igreja Católica.

 

Uma recente avaliação dos seus sete anos como presidente enfatizou o seu embate com o indigenismo no país, reproduzindo a seguinte declaração do presidente: “(Os indigenistas dizem) não à mineração, não aos recursos naturais e (a qualquer atividade) de onde se possam extrair recursos para tirar rapidamente o nosso povo da pobreza. (…) Isto não é ser de esquerda, isto é asneira, infantilismo, é uma irresponsabilidade que faz fracassar qualquer projeto de esquerda (EstrategiayNegocios.net, 15/01/2014).”

 

Em entrevista à revista estadunidense New Left Review de setembro-outubro de 2012, Correa relatou a sua experiência de tratar com os movimentos indígenas do país durante a sua presidência. Segundo o presidente equatoriano, após a reforma constitucional de 2007-2008, ocorreu um intenso debate sobre a questão indígena no país, que resultou na declaração do caráter plurinacional e pluricultural do Equador.

 

“Isso não significava, entretanto, apostar na fragmentação do Estado ou pôr fim à unidade nacional. A ideia de sempre foi a de reconhecer a diversidade e a diferença, para torná-los (os índios) mais integrados e coesos enquanto nação, mas não para gerar qualquer autonomia territorial que enfraqueça o Estado nacional. No mesmo sentido, reconheceram-se os direitos da natureza, a possibilidade de formar áreas indígenas, o direito à água como um bem público, e a mesma ideia da democracia comunitária”, observou Correa.

 

Na mesma entrevista, ele revelou os duros debates travados na Assembleia Constituinte de 2007-2008 sobre diversos aspectos da agenda indigenista:

 

Não aceitamos o consentimento prévio (dos índios), um mecanismo pelo qual as comunidades deveriam autorizar o Estado caso este quisesse usar os recursos estratégicos do país, e isso gerou muito descontentamento em setores próximos ao movimento indigenista. Os recursos naturais são de propriedade pública, são bens comuns, e não pedíamos permitir que comunidades pequenas, por maior que seja a sua legitimidade histórica nesses territórios, tivessem a última palavra sobre o seu uso. (…) Nós governamos para todos os equatorianos e equatorianas, e não podemos ceder às pressões de minorias, por mais justificadas que as suas demandas possam parecer.

 

(Os indigenistas) estavam acostumados a ditar “ordens”, que, acreditavam, deviam ser aceitas pelo governo, pelo simples fato de vir deles. Não aceitam o debate democrático e não aceitam que quando o povo elege um partido para governar o país, o faz em função de um programa político. Eles acreditam que as suas ordem são legítimas, pelo simples fato de terem sido vítimas. Mas não pode ser assim. (…) A sua visão é fundamentalista e está muito influenciada por ONGs estrangeiras, com um discurso ecológico que não consegue entender as grandes necessidades do povo equatoriano.

 

Na oportunidade, ele ainda citou o fato de que “o vice-presidente boliviano [Álvaro García Linera] havia acabado de publicar um livro sobre como as ONGs são corresponsáveis da perda de soberania estatal em extensas áreas da Amazônia”. O livro de Linera é intitulado Geopolítica de la Amazonía. Poder hacendal-patrimonial y acumulación capitalista (Geopolítica da Amazônia: poder fazendário-patrimonial e acumulação capitalista).

 

Correa acrescentou ainda ter vivido durante muito tempo, durante a sua juventude, em um dos territórios indígenas mais pobres do país, e que sempre tratou as lideranças indígenas equatorianas de igual para igual, “sem infantilizar os atores indígenas, nem vitimizá-los, tal como as ONGs e uma certa esquerda paternalista têm feito; e isto significa que, às vezes, posso ser duro com eles, da mesma forma que sou com qualquer outro ator.

 

Correa conclui a entrevista afirmando:

 

Não compartilhamos a visão do problema indígena como sendo um problema somente dos índios, que deva ser tratado por instituições indígenas. Este é o enfoque do multiculturalismo neoliberal que proliferou durante a década de 1990 na América Latina. O problema indígena é de todo o Estado equatoriano e todas as instituições públicas devem contribuir para resolvê-lo, independentemente de serem ou não dirigidas por indígenas.

 

Definitivamente, os indigenistas – e o governo – brasileiros têm muito que aprender com o presidente do Equador.

com conteudo alerta informativo

http://www.alerta.inf.br/rafael-correa-indigenismo-infantil-ve-a-pobreza-como-parte-do-folclore/

da redação do franco da rocha news

edição jc pereira

Última atualização em Sáb, 28 de Junho de 2014 22:37