Professor: entre a cruz e a espada.

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http://ireport.cnn.com/docs/DOC-1255222

 

Bom, gostaria de iniciar esse texto saudando nossos grandes mestres: nossos professores, a quem devemos nos curvar e saldar, pois são eles, sim, que o futuro poderá mudar.

Vejo o ser humano como uma caixinha de presentes, pois lá podemos encontrar coisas boas ou ruins, afinal, é isso que somos, bons, ruins, sujos, imundos, egocêntricos, insanos, estranhos, etc.

Ah, o que somos nós? Somos pessoas, pessoas precisam se relacionar com pessoas, desenvolver suas habilidades cognitivas, etc. Na minha época de criança, acreditava que professor deveria saber tudo, depois que me formei professora, descobri que professor não sabe tudo, mas que ele se esforça em aprender e apreender o máximo que pode para poder ensinar com dignidade coisas boas aos seus alunos, àqueles sujeitos que estão ali, na sala de aula, buscando um norte para suas próprias vidas, sim, às vezes queremos abraçar o mundo com as mãos, mas esse mundo é enorme, ele estoura em nossas cabeças como se fossem bolhas de sabão. Sim, bolhas de sabão porque o mundo nos ensina a competição, mas, muitas vezes, não nos damos conta que a maior competição de nossas vidas não é com nosso mundo exterior, mas consigo mesmos, porque, no fundo, não nos damos conta do quanto é difícil administrar nossos pensamentos, emoções, frustrações e medos, de que, antes de amar o próximo, precisamos amar a si mesmos, cuidar e lutar por si mesmos, enfim, a luta contra nossos fantasmas e medos é a única luta que não cessa. 

No meu ponto de vista, o professor é um ser iluminado, porque ele enche nossas vidas de palavras, ainda que codificadas, mas palavras, ele se utiliza de meios e técnicas para tentar fazer você enxergar/se identificar com aquilo que você realmente se sente bem, ele tem paciência para passar, muitas vezes no ano, finais de semana e dias de feriado corrigindo provas e planejando aulas, isso sem falar no tempo que ele passou cursando a graduação, especialização e outros cursos para ser, finalmente, considerado apto para ser um professor.

O difícil é reconhecer que, como todo profissional, professor também tem problemas, sejam eles financeiros, pessoais, profissionais, etc. Quando estamos na posição de alunos não enxergamos isso, nossa imaturidade faz com que vejamos uma simples pessoa que está ali para ser um simples mediador da aprendizagem. Não e não, professor, além de tudo, é um mestre, um ser celestial que, em razão da não valorização dessa classe no Brasil, vem sendo, não só desvalorizada, como também desacreditada.

Ah, mas tem o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que tem a função de fiscalizar e promover os devidos direitos da criança e do adolescente, mas, e os deveres? Cadê o ECA para fiscalizar o cumprimento dos deveres do indivíduo aluno e promover o respeito merecido ao professor, a lutar para oferecer assistência psicológica, bem como acompanhamentos médicos e materiais a esse profissional que vem sendo tão desacreditado.

Um dos males do ser humano é não se colocar no lugar do outro, vir com uma série de ataques, insultos e julgamentos (muitas vezes sem fundamento lógico algum) contra tudo e contra todos, disseminando e promovendo o ódio contra os demais.

Vejo o professor como um ser que vem sendo crucificado, tudo isso por ensinar? Não, tudo isso porque alunos se veem em tal situação que, por sentirem que, caso façam mal a alguém nada de ruim vai lhes acontecer, eles sabem que são protegidos pelo ECA, que o ECA os defenderá e que, enfim, ficarão imunes, mesmo cometendo crimes contra a sociedade. Assim, aqueles que convivem diariamente com esses sujeitos chamados “crianças” (pessoas que não podem responder por seus próprios atos/crimes) tornam-se, por sua vez, suas maiores vítimas, daí o fato de tantos professores e profissionais da educação sendo, ultimamente, vítimas de estupro, violência física e psicológica, etc. Mas, e daí, se o professor desistir de ensinar quem serão os educadores de amanhã, ou, ainda, qual será o futuro de nossos filhos, netos, bisnetos no dia de amanhã?

Não bastassem tantos escândalos, temos visto recentemente professores distribuindo panfletos nas ruas pedindo doações em dinheiro porque esses mestres estão sem receber seus salários por causa das greves da categoria que reivindica nada mais que seus próprios direitos. 

Essa cruz mais que pesada (salários baixos, desvalorização da categoria, abandono da educação pública) vem, por sua vez, como uma espada, porque ela, ao mesmo tempo em que crucifica nossos mestres, também os sacrifica, feri, machuca, mutila, etc. Esperamos mudanças enérgicas na educação pública de nosso país, caso contrário, nossas crianças estarão condenadas à deseducação, à prostituição, à mão de obra barata, etc.

É preciso que o Estado proteja nossos mestres e puna “crianças” que cometem crimes como se fossem adultos.

No Japão o professor é mais reverenciado que o próprio Rei, pois do professor está o futuro do Japão na formação do caráter e personalidade das crianças de hoje, homens do amanhã.

Andreia Franco.

Alta Comissária de Direitos Humanos

World Parlament  of  Security And Peace

Professora mestre pela UNEMAT (Campus Universitário de Tangará da Serra-MT), com mestrado Sanduíche na USP.

Jornalista MTB. 3409/GO.

Última atualização em Ter, 07 de Julho de 2015 04:41
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